Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro: a usabilidade e a experiência do usuário (UX) não são a mesma coisa.

Sim, a usabilidade de um produto é uma parte crucial que dá base a uma boa experiência do usuário, e, por isso, podemos dizer que a usabilidade é parte essencial da UX (User Experience; Experiência do Usuário).

Ainda, quando falamos sobre usabilidade, mesmo que falemos muito sobre a facilidade de uso de um produto (de um site, de um aplicativo), a usabilidade é mais do que isso.

O padrão ISO 9421-11 define a usabilidade como “A medida em que um produto pode ser usado por usuários especificados para conseguir realizar tarefas especificadas, com efetividade, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso”.

Com base nisso, podemos dizer que a usabilidade é mais do que apenas saber se os usuários podem executar as tarefas facilmente (ou seja, a facilidade de uso). A usabilidade também se refere à satisfação do usuário. Para que um site seja utilizável, também tem que ser atraente e esteticamente agradável.

Por que a usabilidade importa tanto?

A usabilidade é importante porque, se um usuário não consegue alcançar seus objetivos de forma eficiente, eficaz e satisfatória, é provável que eles busquem uma solução alternativa para alcançar seus objetivos. E, com tanto opção disponível hoje no mercado, ele irá fazer isso sem pensar duas vezes.

Só para frisar: se o usuário não consegue utilizar seu produto de maneira fácil e suave, ele simplesmente desistirá. Ele irá sair do seu site e talvez nunca mais volte. Ele irá desinstalar o seu aplicativo e vai classifica-lo como ruim. E isso é péssimo para um negócio.

Cinco características de produtos com boa usabilidade

De acordo com a UXPA (User Experience Professionals Association) definiu 5 critérios para produtos com boa usabilidade:

  • Eficácia
  • Eficiência
  • Engajamento
  • Tolerância ao erro
  • Fácil de aprender

1. Eficácia

A eficácia se trate de os usuários poderem completar seus objetivos com um alto grau de precisão. Grande parte da eficácia de um produto vem do suporte fornecido aos usuários quando eles trabalham com o produto.

Por exemplo, corrigir um campo de cartão de crédito para que ele aceite apenas uma entrada de número de cartão de crédito válido pode reduzir os erros de entrada de dados e ajudar os usuários a executar sua tarefa corretamente.

Existem muitas maneiras diferentes de fornecer esse suporte. O ponto crucial é ser informativo o máximo possível para o usuário.

PayPal form pagamento

Nesse formulário de pagamento, foi restringido o número de dígitos que o usuário pode inserir no campo do número do cartão de crédito, justamente para reduzir os erros de entrada de dados.

Também é indicado você examinar o linguajar usado no seu produto. Quanto mais claro e simples for esse linguajar, mais provável que suas informações tenham o impacto certo sobre o usuário. Eles vão entender melhor. Para que dificultar?

Sempre é bom reduzir o número de termos técnicos em um site, porque também ajuda a tornar as suas mensagens mais claras e significativas para os usuários.

2. Eficiência

Eficácia e Eficiência são palavras semelhantes, mas tratam-se de coisas diferentes. Bastante diferentes, em termos de usabilidade.

Eficiência trata-se sobre velocidade. O quão rápido o usuário consegue fazer uma tarefa específica usando a sua interface?

Nesse caso, é indicado você analisar o número de etapas (ou mesmo cliques) que o usuário precisa para alcançar algum objetivo. O número de cliques pode ser reduzir? Há alguma forma que eu possa melhorar a interface de modo a aumentar a velocidade da execução da tarefa, por parte do usuário?

Os botões de navegação bem rotulados, com rótulos fáceis de entender, também são extremamente úteis. Assim como a disponibilização de atalhos, principalmente em softwares. Você que usa Photoshop e Illustrator, imagina sua vida sem os atalhos! Seria muito mais lento seu trabalho, não?

Para maximizar a eficiência, você precisa examinar como seus usuários trabalham. E, para isso, você realmente precisa fazer uma pesquisa com os usuários, uma pesquisa contextual. Explico sobre isso mais tarde. Mas, basicamente, você precisa ver eles interagindo com a sua interface (ou outros produtos).

3. Engajamento

O engajamento acontece quando o usuário acha um produto agradável e gosta de usar ele. É basicamente isso. A estética também é muito importante, e é por isso que muitas empresas investem em elementos de design visual.

E, na prática, isso tem a ver com layouts bem projetados, tipografia legível e facilidade de navegação, que no final das contas se juntam para oferecer uma boa interação para o usuário. E, então, envolvendo o usuário, aumentando o engajamento dele com o seu produto.

Mas veja que a estética, o design visual em si, não é tudo. Mesmo que o Wikipedia seja um pouco feio e com um aspecto um tanto quanto ultrapassado, ele ainda sim apresenta alto engajamento, porque muitos gostam de usá-lo.

Wikipedia screenshot

4. Tolerância ao erro

É praticamente impossível conseguirmos eliminar exatamente todos os erros em nossos aplicativos e sites. Alguns erros podem aparecer de forma inesperada. O ponto importante é como seu produto lida com esses erros.

Mas, tenha uma coisa em mente: mesmo que, no pior dos casos, o usuário realmente seja o culpado por algum erro no seu produto (o que provavelmente não é), mas você não deve culpa-lo. Tente lidar com os de erros de forma suave e com bastante informação, para que o usuário fique tranquilo e não jogue o celular na parede, por tamanho estresse que o erro o causou.

Por isso, a melhor coisa a se fazer é tentar minimizar os erros e garantir que um usuário possa se recuperar facilmente de um erro e voltar para o que eles estavam fazendo. É isso que é tolerância ao erro.

Então, alguns pontos são:

  • Restrinja as oportunidades de fazer a coisa errada;
  • Torne os links e botões claros e distintos, manter o linguajar claro e simples, e não use jargões técnicos ou complexos;
  • Limite as opções para corrigir escolhas, se você puder, e dê exemplos ao pedir que os usuários que forneçam dados;
  • Ofereça a oportunidade de “refazer”. Dê aos usuários uma maneira de redefinir o que acabaram de fazer e poder começar de novo.

5. Fácil de aprender

Se você deseja que um produto seja usado várias vezes, então você vai querer que o usuário consiga aprender facilmente a usar produto para que, quando ele for usá-lo novamente, ele consiga naturalmente interagir.

Você também precisa pensar nisso quando for lançar novas funcionalidades e recursos. Caso contrário, um usuário que já usa seu produto há algum tempo, e que esteja satisfeito com ele, pode ficar rapidamente frustrado com sua versão mais recente.

Isso é algo que costuma acontecer muito nas redes sociais. Sempre que novos recursos são lançados, eles tendem a ser um pouco desprezados e todo mundo começa a falar mal dos novos recursos. E isso é verdade mesmo quando os novos recursos são fáceis de aprender.

A melhor maneira de trabalhar com isso é projetar sistemas que combinem os modelos mentais já existentes dos usuários. Mas o que é modelo mental? É simplesmente uma representação de algo no mundo real e como é feito da perspectiva do usuário. É como o usuário resolve algo, como ele já está acostumado a resolver certos problemas ou realizar certas tarefas.

É por isso que os botões virtuais se parecem muito com botões reais. Sabemos como os botões são pressionados. Se um formulário tem um botão semelhante ao que já estamos acostumados a ver, naturalmente já iremos saber como usá-lo, sem pensar.

 

Texto adaptado do Interaction Design Foundation.


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