É comum as pessoas, principalmente os iniciantes e profissionais de outras áreas, confundirem as diversas terminologias e cargos que são relacionados ao Design de Experiência do Usuário.

De fato, a cada ano que passa, parecem surgir novos termos e profissões. Em muitos dos casos, as diferenças são bastante sutis, e até mesmo gestores e recrutadores não sabem diferenciá-los.

Pensando nisso, escrevi este artigo com explicando melhor as terminologias e cargos mais comumente vistos no cenário do UX Design. Mas, como eu disse, como são inúmeros os termos, não irei abranger todos eles, pois senão eu precisaria de escrever um livro, não um artigo.

Caso você queira saber mais especificamente sobre o UX Designer e como ele trabalha, eu te sugiro ler também este outro artigo que escrevi, mostrando o fluxo de trabalho do Designer de Experiência do Usuário.

Interação Humano-Computador

Interação Humano-ComputadorNa evolução da interação com as tecnologias e nos primórdios do que se concluiu como a área de interação humano-computador (IHC), começamos a interagir com os primeiros computadores ainda muito complexos e grandes, passando para computadores menores e bem mais simples.

Depois, passamos a usar os computadores portáteis e, hoje, lidamos com uma variedade muito grande de sistemas interativos – notebooks, smartphones, tablets, smartwatches e por aí vai.

Durante essa evolução, as interfaces dessa comunicação humano-máquina mudaram bastante. Quando no início era uma grande novidade e as pessoas estavam interessadas no que aquela tecnologia poderia trazer, agora, ela já faz parte do nosso dia-a-dia.

A Interação Humano-Computador (IHC) começou a ser tratada como área do conhecimento por volta da década de 1970, e tem suas origens na Ergonomia e Fatores Humanos, na Psicologia Cognitiva, no Design e, claro, na Ciência da Computação.

De início, eram tratadas questões relacionadas a interação com hardware (monitores e teclado), treinamento, documentação (manuais), editores de texto etc. E, depois, o foco passou a ser muito mais a interação com os softwares em geral.

Antes da consolidação do termo IHC – Interação Humano-Computador – a área chegou a ser chamada de “human factors in computers” (fatores humanos em computadores), e isso se referia à interação com hardwares, e de “human factors in software engineering” (fatores humanos em engenharia de software), em uma abordagem mais voltada para a interação com os softwares.

Porém, não há como separar uma abordagem da outra, porque, onde existe software sempre terá um suporte de hardware (pelo menos até hoje em dia), e sua relação com a Ergonomia (human factors), que é extremamente forte e se dá, principalmente, no que diz respeito aos métodos de pesquisa e análise utilizados em projetos de interface, como a Análise da Tarefa.

Interface do Usuário (UI)

UI Design Facebook iPhoneA interface do usuário é como o nome já diz, e você já deve bem saber: é a interface entre o usuário e a máquina, o produto, o site, o aplicativo, o software ou qualquer outro. É onde o usuário interage diretamente.

A interface de um sistema interativo digital pode ser as telas de um site, de um aplicativo de

smartphone ou smartwatch, onde os elementos de interação, como ícones, botões e textos estão dispostos de maneira organizada para que, durante a interação, o usuário consiga se guiar e executar as tarefas que precisar para alcançar seu objetivo.

É aí também que entram as questões importantes sobre usabilidade. Cada elemento de interação da interface deve estar ali para atender a uma determinada necessidade do usuário, levando-se em conta que todos os elementos fazem parte de um todo, e que devem se comunicar de maneira fluida e consistente. E, então, chegamos na Arquitetura da Informação.

Arquitetura da Informação

Arquitetura da Informação Site MapA internet tem uma quantidade muito grande de informação que é difícil até de imaginar se ela não fosse estruturada do jeito que é. O nosso cérebro com certeza não seria capaz de entender tamanha bagunça desse mundo de dados, se não fosse organizado.

As pessoas se acostumaram a ver o conteúdo e a funcionalidade dos produtos digitais, já que muitos deles são estruturados e fáceis de usar. Mas isso não ocorre involuntariamente. Os designers e desenvolvedores assumem a responsabilidade de construir conteúdo e sistema de navegação da maneira apropriada para que os usuários consigam entender os dados que são mostrados, e então conseguirem usar o site ou aplicativo.

Quando se trata da experiência do usuário, não é a infraestrutura técnica do sistema ou servidor que nos interessa, nem estamos interessados em como os sistemas foram programados ou como o banco de dados foi projetado. O que nos interessa mesmo é como esses dados são apresentados ao usuário.

E isso não necessariamente tem a ver com a questão visual da interface, mas sim sua com sua organização e disposição das informações.

Isso significa que, em geral, os designers estão preocupados com a forma como os aplicativos e sites exibem e organizam as informações para os usuários. Por isso, definimos quais dados serão mantidos nas páginas e depois é definido como cada página se relaciona com outras que compõe um site, aplicativo ou seja lá qual for o produto.

Uma das maneiras mais fáceis de iniciar esse processo é definir um mapa do site (ou sitemap). Isso permite a gente permite agrupar as páginas em conjunto e nos ajuda a determinar a melhor estrutura para apresenta elas. É isso que é arquitetura da informação.

A arquitetura da informação traz vários desafios para o designer de experiência do usuário e uma das maiores dificuldades é como saber categorizar e agrupar os termos dentro de uma interface. Isso também é conhecido como definição de taxonomias, o que parece bem mais complexo, né? Essas taxonomias nos ajudam a desenvolver menus e outras estruturas de navegação para oferecer uma melhor experiência de usuário.

Para conseguirmos ter boas taxonomias, uma boa ideia é realizar pesquisa com os usuários, que pode ser uma entrevista com eles, para tentar esclarecer como um usuário pode abordar um conjunto de dados. Ou, se os conjuntos de dados já estão definidos e queremos testar a lógica com esses usuários, para ver se realmente está bem projetada a nossa interface.

A gente pode usar técnicas como Card Sorting para verificar se os usuários agrupam os dados da mesma maneira que nós fizemos em nossos experimentos. Isso especialmente útil para sites e aplicativos que têm muitas informações, como os e-commerces.

Os melhores arquitetos da informação provavelmente terão mais experiência na hora de fazer esse trabalho, e irão fazer com mais facilidade, com base nos trabalhos que já fizeram anteriormente. Os bibliotecários são um bom exemplo disso e também os DBAs (administradores de bancos de dados).

Design de Interação

Design de Interação iPadO design de interação é um componente importante dentro do vasto mundo do design de experiência do usuário (UX). Em poucas palavras, o design de interação é o design da interação entre usuários e produtos.

Parece bem óbvio, né?

Geralmente, quando as pessoas falam sobre o design da interação, os produtos tendem a ser aplicativos, sites ou sistemas. Mas não é exclusivo a isso.

O objetivo do design de interação é criar produtos que permitam ao usuário alcançar seus objetivos da melhor maneira possível.

Certo. Isso pode parecer bem amplo. É porque o campo é realmente bastante amplo: a interação entre um usuário e um produto geralmente envolve elementos como estética, movimento, som, espaço entre outros.

Como você deve ter percebido, design de interação e design de experiência do usuário (UX design) tem uma ligação muito próxima e forte. Afinal, o UX design preocupa-se com a experiência de usar um produto, e a maior parte dessa experiência envolve alguma interação entre o usuário e esse produto.

Mas o UX design é muito mais do que o design de interação. Não é somente uma camada dentro do processo de desenvolvimento de um produto. Envolve outras etapas, como a pesquisa de usuário, testes de usuários e usabilidade teste etc.

Isso não quer dizer que o design de interação seja menos importante que o UX design. Aliás, o design de interação é um pilar crucial para um bom UX design.

Mas, isso é outro assunto, e se você quiser saber mais especificamente sobre o UX Designer, você pode ler um outro artigo que escrevi.

Para entender como os designers de interação trabalham com as 5 dimensões, para criarem interações significativas, podemos analisar algumas questões importantes que eles fazem ao projetar (criar designs) para os usuários, conforme dito pelo usability.gov:

  • O que um usuário pode fazer com o mouse, o dedo ou a caneta para interagir diretamente com a interface?
  • E a respeito da aparência (cor, forma, tamanho etc.), que pistas dá ao usuário sobre como funciona e ele pode utilizar o produto?
  • As mensagens de erro fornecem uma maneira para o usuário corrigir o problema ou explicar por que o erro ocorreu?
  • Que retorno um usuário obtém quando uma ação é realizada? O sistema fornece feedback para deixar o usuário ciente do que está acontecendo? Lembra das 10 heurísticas de Nielsen?
  • Os elementos da interface têm um tamanho razoável para interagir?
  • Os formatos padrões ou familiares são usados? Os elementos e formatos padrão são usados ​​para simplificar e aprimorar a capacidade de aprendizado de um produto. Não invente uma interface revolucionária, totalmente nova de tudo que o usuário já viu. Ele simplesmente irá demorar a entender como usá-la.

Concluindo, os designers de interação são extremamente importantes para que sejam criados bons produtos, fáceis de serem usados e funcionais.

Design Visual

Design Visual MacbookMuita gente confunde o Design Visual com o Design de Interação, e realmente são termos que podem gerar muita confusão, porque de fato as duas áreas são muito próximas, e as duas trabalham em interfaces, podemos dizer assim.

No entanto, diferente do Design de Interação, que se importante mais com a questão da interação entre o usuário e o produto, o Design Visual está ligado diretamente ao aspecto estético, à questão visual.

Desde fazer ícones incríveis, trabalhar em controles e outros elementos do domínio visual, qualquer coisa visível aos olhos está sob a responsabilidade de um designer visual.

Um designer visual é a pessoa que você procura quando você quer que sua interface fique mais elegante, com qualidade visual e precisa dar um pente fino no visual, a grosso modo falando.

O Design Visual tem a preocupação em garantir que os projetos visuais de todos os tipos de telas (móveis, web, desktop) tenham visões que merecem ser vistas pelas pessoas.

Só para deixar um pouco mais claro, os designers de interação nem sempre estão tão preocupados com a aparência de um produto. O que eles querem mesmo é ter certeza de que o produto irá funcionar de forma a facilitar a navegação e a interação com o usuário. Eles não colocam como objetivo principal a preocupação estética, diferente dos designers visuais. Um designer de interação analisa os detalhes que são mais úteis para alguém que chega ao site, e como cada detalhe terá um impacto sobre a experiência dele e o quão bem eles podem usar o site.

Pesquisa do Usuário (User Research)

Entrevistando UsuárioEm uma abordagem de Design Centrado no Usuário, a Pesquisa do Usuário é parte fundamental para se chegar a um produto que possa levar a uma boa experiência de uso.

A partir de uma pesquisa com usuários é que se consegue descobrir quais são as suas reais necessidades e comportamentos. Entretanto, essa pesquisa deve ser feita de modo organizado e estruturado, para que a gente consiga obter informações relevantes e que possam ser traduzidas em insumos para o projeto.

Basicamente, nós, como designers, projetamos produtos para a solução de algum problema, certo? Então, a Pesquisa do Usuário entra justamente nessa questão, onde ela nos ajuda a entender qual é o problema real, quem são os usuários de verdade, quais são as necessidades deles, quais são suas dificuldades e expectativas, entre outros aspectos. Então, com todas essas informações extremamente importantes, conseguimos criar soluções e produtos que irão realmente solucionar o problema do nosso público-alvo.

Porém, não adianta perguntar para o usuário o que ele quer, porque muitas vezes ele nem vai conseguir dizer – é aquela famosa frase de Steve Jobs: “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas.”. É preciso entender quais são as suas necessidades e como ele faz para alcançar seus objetivos, e quais são os meios que ele faz para alcançá-los.

Muitas vezes, a observação, a análise e a avaliação de comportamentos e atitudes são suficientes para se chegar a insights essenciais para o projeto e criar soluções que promovam uma excelente experiência de uso.

Concluindo, Pesquisa do Usuário é um assunto extremamente importante para o UX Designer, e claro, eu apenas expliquei aqui de forma bastante superficial. E, caso queira se aprofundar neste assunto, eu te sugiro a ler um outro artigo que escrevi sobre como descobrir as necessidades dos usuários.

Estratégia de Conteúdo (Copywriting)

CopywritingQuando se trabalha com muito conteúdo informacional, não só as questões de apresentação da informação e organização da mesma precisam ser trabalhadas. Que conteúdo será exposto e qual é o seu papel nos diversos momentos de interação é parte estratégica do produto na experiência do usuário.

Diversos fatores como linguagem, tipo de mensagem, tom e voz são fatores extremamente importantes para que a experiência seja consistente e única.

Além disso, você precisa entender os diversos meios e contextos em que interação irá ocorrer para que se proponha o conteúdo, no momento certo e na hora certa.

Por exemplo, que conteúdo de informação será fornecido de um mesmo serviço quando o usuário estiver num site em um desktop, no smartphone ou na pequena tela de um smartwatch?

Os meios e os contextos podem ser e são diferentes, cabe ao projeto especificar a melhor maneira de formulação do conteúdo.

Desenvolvedor Front-End

Desenvolvedor Front-EndO desenvolvedor Front-End não tem a ver diretamente com o UX Design, mas eu decidir falar sobre esse profissional porque acredito que há uma ligação extremamente forte entre o UX Designer e o desenvolvedor Front-end, já que esse é o programador responsável pela parte front-end do sistema, ou seja, da parte mais externa um site, aplicativo ou software.

Basicamente, o desenvolvedor Front-End programa a interface que o designer projetou.

Muitas vezes, é o desenvolvedor Front-End que vai ajudar o designer a criar um protótipo interativo em HTML, ou um MVP – Produto Mínimo Viável – para que o produto, ainda em desenvolvimento, possa ser testado pelos usuários.

E, quando esse produto já estiver finalizado, é o desenvolvedor Front-End que irá traduzir todos os mockups e designs que o designer criou em código, para que o produto seja funcional e pronto para o uso.

Por isso, é muito importante que o designer e desenvolvedor front-end tenham uma relação bastante próxima e contínua, já que o designer projeta e o programador programa.

Se há algum erro de usabilidade ou de arquitetura da informação, provavelmente é o desenvolvedor front-end que será o responsável por traduzir todo o desenho que o designer projetou em formato de código, para que o produto funcione da maneira como o designer havia planejado.

Conclusão

Como podemos ver, há um grande número de profissionais relacionados ao UX Design, e cada um deve se especializado em sua área, para que seja possível desenvolver produtos realmente efetivos e que façam sentido na vida das pessoas.

Também, o UX Designer deve ser capaz de interagir com esses profissionais e manter um bom e estreito relacionamento. Aliás, não só o UX Design deve entender a importância da cultura da boa Experiência do Usuário, mas todos devem estar alinhados nesse sentido. Do contrário, os esforços do designer poderão ser prejudicados.

Eu sei, é bastante confuso às vezes esses termos – Design Visual, Design de Experiência do Usuário, Design de Interação. No fundo, todos são designers e têm uma preocupação mútua: projetar produtos que funcionem, que são agradáveis e que proporcionem uma boa experiência para o usuário.

E, em muitas empresas, principalmente as de pequeno porte que não possui uma equipe grande, os designers assumem mais de um papel, podendo ser Designer Visual e Designer de Interação ao mesmo tempo, e ainda se preocupar com questões de UX Design.

Enfim, este artigo não entrou em profundidade em cada ponto por se tratar de um assunto extenso. Contudo, o meu objetivo aqui foi te apresentar uma visão geral das terminologias e cargos relacionados ao Design de Experiência do Usuário.

Surgiu alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários e irei responde-lo.


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