Mesmo que você esteja lendo este artigo, você provavelmente já sabe o que é design. Ou pelo menos tem uma boa noção, mesmo que pense que não. Ou, talvez você confunda Design com outra coisa.

É comum as pessoas confundirem Arte com Design. Mas Design não é Arte. São áreas totalmente distintas e nunca devem ser confundidas. Os profissionais são totalmente diferentes e os objetivos são extremamente distintos.

Então, você saberia me responder o que é Design?

Essa é uma pergunta que já me fizeram algumas vezes, e sempre preciso de mais do que um ou dois minutos para responder. Design não pode ser explicado em uma simples frase, pois é uma área complexa e que há vários pilares a sustentando.

Por conta disso, vejo muitas pessoas com dúvidas sobre o que de fato é design, e várias delas ainda confundem o conceito de Design com outros – como arte plástica, arte visual etc.

Então, neste artigo esclareço do que realmente o Design é feito. E isso será extremamente útil para você que está desenvolvendo um produto ou negócio, mesmo que não seja designer.

Este artigo é baseado na palestra “O Pensamento do Designer”, que eu (Rian Dutra) fiz na 2a edição do Vale ITech, em Paracambi (RJ), no início deste ano.

O evento teve a missão de estabelecer a instalação de um Parque Tecnológico para desenvolvimento de tecnologia e crescimento do mercado municipal e regional, juntamente com as demais cidades da região e apoio das mesmas.

O pensamento do Designer

Antes de tudo, ser Designer é ter a capacidade de observar e conseguir fazer conexões.

Mas o que quero dizer com isso? O Designer precisa enxergar os problemas reais de algum cenário ou produto, e conseguir entender porque aquele problema acontece de fato e solucioná-lo da melhor forma possível, com menor esforço e custo.

O Designer tem um papel muito mais estratégico do que estético. Isso pode soar bem estranho se você tiver aquele conceito errado de que o Designer é o responsável por deixar o produto mais bonito, somente. Antes de trabalhar na estética – que é o último ponto do processo, mais superficial do projeto – ele basicamente precisa estabelecer novas conexões para criar soluções para um problema específico.

Uma história fictícia para exemplificar

Vamos imaginar que, no período da pré-história, na Idade da Pedra, havia um ser designer caminhando por lá, com seus amigos neandertais.

Neanderstais Designers MarteloDurante essa caminhada, um de seus amigos, encontrou um coco caído no chão e o pegou. E tentou abri-lo, mas não conseguiu. Tentou de novo, mas sem sucesso. E ficou tentando abrir o coco, mas era muito duro e não conseguiu por dias. Até que, com muito esforço, o coco se partiu e ele pode come-lo.

Antes de continuar a história, temos que entender que o Designer, acima de tudo, tem 2 competências:

  • Ser observador. O Designer percebe o problema, o fato, entende o cenário, entende as necessidades das pessoas, suas dificuldades e desejos.
  • Ser capaz de estabelecer conexões entre o problema e outros elementos para criar uma solução efetiva.

Logo, o ser designer foi capaz de observar que seu amigo neandertal não conseguiu abrir o coco com rapidez e facilidade, mesmo que tentasse várias vezes por conta da fome.

Após isso, o designer foi capaz de estabelecer conexão entre o problema e outro elemento para criar uma solução, tendo a ideia de ligar um pedaço de pau de madeira e uma pedra com uma ponta aguda.

Neanderstais Designers Martelo ProjetoAssim, ele criou o martelo. Essa ideia estima-se ter uns 70 mil anos e é extremamente útil até os dias de hoje, e seu design praticamente se manteve desde o seu projeto inicial.

Definições básicas de Design

Como eu havia dito anteriormente, é impossível descrever Design com apenas uma frase. Se você ler alguma definição de Design em poucas palavras, certamente está incompleta.

Eu gosto muito das definições básicas explicadas por Luli Radfahrer em uma palestra que fui há muito tempo. O Design tem 3 definições básicas: Desenho, Projeto e Finalidade.

1. Desenho

Não existe design se você não tiver uma experiência gráfica, uma manifestação visual. É por isso que é comum que as pessoas pensem que o Design é simplesmente aquela interface bonita do aplicativo, aquele formato maravilhoso da Ferrari, aquelas cores que combinam em um folder.

O desenho é uma parte fundamental do Design, sim. Mas, desde que contemple as outras definições que direi a seguir.

Podemos ter design com tipografia, com pintura digital ou aquarela. Podemos ter design com uma infinidade de materiais e aspectos visuais. Mas é importante que tenha desenho, mesmo que seja somente a forma dos objetos, a disposição dos elementos. Mas tem que ter desenho.

Eu te pergunto: podemos ter design somente com áudio? Não.

2. Projeto

Diferente do que muitas pessoas pensam, “design” não significa “desenho”. Significa “projeto”.

Por exemplo, o designer de interiores, que é o profissional que cuida dos espaços internos, tanto residenciais como corporativos. Tem uma visão ampla não somente focado na estética, mas em um conjunto de elementos, como tamanho, ergonomia, proporção, cores entre outros.

Tenha uma coisa em mente: Design não é uma expressão ou manifestação pessoal ou artística.

Como eu antes disse, podemos ter uma pintura em uma peça de design, mas essa peça necessariamente precisa ter um significado para o negócio, e deve passar os conceitos e ter o seu papel no projeto. E não simplesmente porque é uma figura bonita.

Outro ponto extremamente necessário é que o projeto deve ter a capacidade de ser reproduzido. Se você cria uma mesa de madeira feita a partir de um tronco de árvore, e ela não pode ser reproduzida em larga escala, mantendo todos seus padrões e funções, não é design, é arte ou artesanato.

3. Finalidade

Talvez uma das palavras que façam sentido ao Design, é finalidade. Melhor ainda, seu sinônimo designo. Ou seja, Design necessariamente precisa ter uma finalidade.

Se uma peça é simplesmente bonita e não tem uma função específica – seja para vender um serviço, seja para apresentar uma ideia – não é design, é arte.

Se temos um desenho junto a um projeto, com a finalidade de criar solução para algum problema específico, temos design. Quando juntamos esses 3 pilares (desenho, projeto e finalidade), conseguimos ter design.

Para reforçar, o Design deve ser útil e deve conseguir melhorar a vida das pessoas, de alguma forma – como o martela, na história que contei anteriormente.

Conclusão

Por que o iPhone é um bom exemplo de design? Porque ele tem desenho (e senso estético), tem um projeto, porque ele tem funcionalidades – não pode esquentar muito, tem que ter uma boa ergonomia, tem que ser produzido em série – e tem designo, porque as pessoas conseguem usá-lo com facilidade para finalidades específicas, como enviar email, ligar e acessar sites.

Muitos produtos pecam no design porque simplesmente não tem uma dessas definições.

Então, da próxima vez que estiver desenvolvendo um produto, tenha esses 3 pilares como base de seu negócio: desenho, projeto e finalidade.

Como você tem usado o Design para ajudar em seu negócio?


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